domingo, 5 de junho de 2011

Chat(o)


A ferramenta de interação chat virtual é uma das ferramentas mais usadas na internet(acredito que hoje só perde para as redes sociais que agregaram a ferramenta em sua interface), no entanto, observamos que quando o chat será usado para fins educacionais nossos alunos e boa parte dos tutores não estão aptos ou não querem Chatear...
Muitos alegam que o chat é chato, que não conseguem acompanhar o ritmo e que não entendem nada. Não sei qual é a justificativa dos tutores que não gostam, mas imagino que seja algo parecido. De fato, o chat precisa que tutor e alunos tenham o compromisso de estarem no mesmo horário disponíveis e como tempo é algo que anda em falta no mercado, muitos acabam achando que o chat é perda de tempo.
Para tentar mudar essa concepção, procuro seguir um planejamento de chat, anoto questões relevantes ou temas que são discutidos na aula e começo a soltar as perguntas e temas aos poucos. Espero a manifestação dos alunos e a partir desta eu tento respondê-los ao passo em que vou vendo as mensagens na tela. Ás vezes demora, mas na maioria das vezes não, pois procuro trabalhar com poucos alunos por chat.
Acredito que antes de tudo, o professor conteúdista deve manter chats na disciplina, mas esses devem tratar de textos ou temas específicos ou mesmo um tira-dúvidas. Nunca proporia um chat sem nada definido. É preciso também que este chat valha presença, caso contrário não teremos interlocutores, os alunos, quando sabem que não vale nada, não aparecem, esse para mim é o maior estímulo de participação.
Para terminar, acredito que o aluno só terá consciência da importância do chat, caso o tutor e o professor conteúdista concordem que ele é importante, caso contrário teremos salas vazias de gente e de conteúdo.

sábado, 4 de junho de 2011

Esperança! Vamos descomplicar?

"A verdadeira educação consiste em por a descoberto ou fazer atualizar o melhor de uma pessoa. Que livro melhor que o livro da humanidade?" (Mahatma Gandhi)

Exemplos bons de esperança? Todos os dias com aqueles profissionais que ainda acreditam nos indivíduos e na educação como solução para várias mazelas sociais e continuam realizando seu trabalho.
Júlio César

Fé nos homens de mãos dadas com amor e humildade!

"Só poderemos melhorar o mundo distribuindo a verdadeira fé entre todos os povos do mundo." (Leon Tolstoi)

Exemplos vários podem ser dados aqui, desde que professores apontem falhas de seus alunos no desejo que esses melhorem das próximas vezes em que se depararem com situações semelhantes. A "correção de exercícios" ou o "apontar de falhas" devem ser na verdade crença de que os alunos podem e vão fazer melhor nas próximas vezes.

Um fator importante é a maneira como o profesor expõe suas dicas de melhoria. O amor a sua profissão e a humildade em reconhecer um ser humano igual a você do outro lado do processo pode ser algo utópico para a grande maioria, mas é totalmente reconfortante para a minoria que a realiza.

Júlio César

Professor aprendiz

"O reconhecimento da própria ignorância é a primeira prova de inteligência." (Santo Agostinho)

Professor e aluno devem andar de mãos dadas. Ambas as partes devem reconhecer no professor apenas um agente momentaneamente mais treinado em aspectos de uma determinada área. Ao colocarmos esse pensamento em prática, caminhamos lado a lado com nosso aluno e ele se sente responsável também pelo caminhar da disciplina ou do curso. Não há nada de errado nisso, afinal educação necessita de dois agentes (professor e aluno).

É gratificante para o aluno quando traz alguma experiência ou conhecimento para a sala de aula e o professor o compartilha com os outros alunos. Há aí um reconhecimento da importância da individualidade de cada um e uma maior aproximação entre o ser que supostamente sabe "tudo" e o que não sabe "nada". Trazer esse apendizado para o ambiente virtual é algo importante uma vez que muitos dos alunos nessa modalidade ainda encontram dificuldade em lidar com as ferramentas tecnológicas.

Júlio César

O AMOR DE PAULO FREIRE

"Tornar o amor real é expulsá-lo de você, pra que ele possa ser de alguém." (Nando Reis)

Por certo que devemos trabalhar embasados em conhecimentos teóricos. Contudo o processo de ensino-aprendizagem pode ser facilitado, e muito, se trabalharmos também com amor. Amor ao que fazemos, amor em como fazemos e amor para quem fazemos. Se isso é fácil, não sei ao certo, porém é preciso. Por que que apenas os alunos devem se esforçar para aprender? Os educadores devem servir de exemplo para seus alunos e diante de "dificuldades" inerentes a profissão, mostar na prática como é gratificante e possível nosso crescimento cultural e intelectual.

Ao nos utilizarmos do amor como ferramenta e nossa tarefa de educação à distância, acredito que ajudaremos nossos alunos na construção ou melhoria da autonomia no processo de aprendizagem, obtendo melhores resultados e formando indivíduos cientes de seu potencial. Temos por obrigação estimular os alunos para que depois dos primeiros passos com a ajuda de um professor e um curso formal, ele deve andar por si só e a partir de então construir verdadeiramente sua estrada de conhecimento. Cada indivíduo, e apenas ele, determina que caminho seguir e se ele deve seguir. Nós professores podemos e talvez devamos ser estímulos para nossos alunos, mas não podemos aprender por eles.

Acreditamos que um diálogo aberto e direto com nossos alunos sobre seus pontos fortes e fracos, além de dicas de como se movimentar nesse "novo" ambiente de ensino, ajudaria na formação de uma auto-estima elevada e consequentemente na utilização de sua autonomia como ferramenta de aprendizagem.

Júlio César

Elementos da dialogicidade freiriana

Oi pessoal,

Conforme essa nova atividade nos pede, venho trazer aqui para o nosso "diário de bordo" uma situação que essa discussão - sobre os elementos da dialogicidade segundo Paulo Freire - me trouxe a mente. Vou tratar de uma situação que me marcou bastante, no entanto, infelizmente, tratam-se de marcas negativas, visto que a situação da qual pretendo falar ilustra um momento, em EaD, onde tais elementos apontados por Freire, tão importantes na relação educacional, em realidade, faltaram. Vamos ao caso em si.

Quando comecei a atuar na EaD, houve uma pequena confusão entre os alunos recém-ingressos no curso. Na realidade a confusão foi simples, mas não pequena, pois levou a problemas sérios, em alguns casos, até à reprovação. Esses alunos estavam concluindo a disciplina "Educação a distância" enquanto aguardavam pela próxima disciplina começar. As disciplinas subsequentes seriam "Língua Inglesa 1B" e em seguida "Língua Inglesa 1A", exatamente nessa ordem. No entanto, os alunos, por uma questão de lógica, presumiram que a primeira disciplina seria, evidentemente, a 1A, que seria posteriormente seguida pela 1B. No próprio solar, na tela subsequente ao login, era exibida uma tela que mostrava todas as disciplinas nas quais os alunos estavam matriculados. Nessa mesma tela a disciplina 1A era seguida da 1B, o que ajudava ainda mais a reforçar o engano. Portanto, na época, quando os alunos iam checar se a outra disciplina já havia iniciado, eles, simplesmente, clicavam na disciplina (Língua Inglesa 1A) logo abaixo da primeira (Educação a Distância). Resultado, os alunos só perceberam de fato o que estava acontecendo quando a disciplina 1B já havia começado fazia tempo, perdendo as primeira aulas e primeiras atividades.

Tão logo percebemos o problema, eu, enquanto tutor presencial, e os alunos procuramos resolvê-lo. Tivemos a preocupação de não atropelarmos instâncias e portanto recorremos primeiramente ao tutor semipresencial da disciplina. Explicamos a situação e pedimos um oportunidade para que os alunos pudessem ler as aulas iniciais e entregar as ativiades perdidas. Contudo, a tutora em questão se mostrou irredutível, agumentando que havia mandado mensagens tanto via solar, quanto por e-mail para os alunos, para que eles acessassem a disciplina. Outro argumento apresentado pela tutora foi que eles deviam ter acessado o cronograma de atividades.

Argumentamos de volta, mostrando que, primeiramente, as mensagens enviadas via solar de nada serviram, visto que os alunos estavam concentrados na disciplina 1A, por acharem que essa viria antes da 1B, checando somente a caixa de entrada da 1A. Já em relação aos e-mails pessoais, venhamos e convenhamos, muitas pessoas instruídas não sabem usar seus e-mails pessoais apropriadamente, o que era o caso de alguns desses alunos que não possuíam muita familiaridade com a internet. No caso em questão, os emails pessoais enviados pela professora iam direto para o spam e, como os alunos nunca foram instruídos a respeito da necessidade de se checar spams, esses e-mails passavam desaspercebidos. Muitos alunos nem ao menos sabiam o que eram spams. Havia ainda um agravante, o email da professora era um nome feminino seguido da palavra "mulher", como "alexandrina_mulher@qualquercoisa.com" (exemplo meramente ilustrativo sem referência real ao e-mail da professora). Alguns alunos que chegaram a ver tais e-mails não os abriram achando que se tratava de conteúdo pornográfico (seria cômico, se não fosse trágico). Já em relação ao cronograma de atividades, esse não se encontra no solar e sim em um outro site, o site http://www.virtual.ufc.br/portal/cursos.aspx, a respeito do qual os alunos não tiveram nenhuma orientação e, nem mesmo eu, tutor presencial, sabia a respeito, visto que os tutores presenciais não recebem instruções antes de começarem a atuar. A única instrução que os alunos receberam nesse sentido era que deviam checar com frequência a agenda da disciplina, que só mostra datas próprias e não de outras disciplinas. A tutora ainda assim se mostrou irredutível.

Resolvemos, então, levar o caso para a professora coordenadora da disciplina. Essa simplesmente disse estar de mãos atadas quanto à situação, não podendo ir contra a decisão da tutora. Claro que insistimos, mas ela também se manteve irredutível. No final, quando levamos o caso a coordenadora do curso, muito tempo já havia se passado e a situação estava dificílima de se resolver, agora mais que antes.

No que mais insistiram tutora e coordenadores foi que os alunos ainda teriam uma chance se mantendo no curso, fazendo todas as atividades e tirando notas boas. Na minha opinião o que faltou foi diálogo, o que faltou foi os elementos de que trata Freire: amor, humildade, fé nos homens, esperança e, um pensar crítico. Ora, todos nós sabemos como é difícil aprender uma língua nova, imagine começar de forma abalada. Bastava pensar um pouco, imagine alunos que perderam as primeiras unidades de um curso de uma língua estrangeira tendo que pegar o bonde andando e dar continuidade ao curso. Enquanto eles aprendiam sobre o conteúdo novo, o que já era muito difícil, pois não tinham a base que vinha do conteúdo anterior, tinham que voltar às unidades perdidas, estudar tudo aquilo, tudo isso enquanto davam continuidade às novas atividades. O resultado final foi desistências e reprovações, claro que não de todos, pois, como alguns eram inclusive professores de inglês, conseguiram dar a volta por cima. No fim foi duro ainda ouvir como justificativa o fato de que "se alguns conseguiram, todos podiam", mesmo quando, nesse caso específico, era possível enxergar bem as diferenças de níveis.

Até hoje me sinto mal pelo que aconteceu. Na minnha opinião vi mais uma injustiça sendo cometida. Não culpo tutores e coordenadores pelo que aconteceu, quem conhece os coordenadores sabe dos inúmeros problemas que esses precisam resolver diariamente na EaD. Sabem das inúmeras desculpas falsas que ouvem todos os dias de diversos alunos que tentam burlar regras para passarem sem esforço, e o que é pior, sem aprendizagem, por uma graduação. Na minha opinião, mais culpado é o sistema que nos é imposto. Nós professores acabamos sendo impelidos a fazermos muito ao mesmo tempo. Somos abarrotados de tarefas e, no fim, acaba sendo mais prático acreditar que os alunos erraram e que, portanto, pagarão por isso, do que sentar, refletir e discutir se seria justo que esses alunos pagassem por tal fatalidade. Não havia tempo para tanto, muito menos para que consertássemos tal fatalidade. A tutora por exemplo, teria que corrigir as novas atividades e as atividades antigas. Como seria isso? Isso não seria problema se ela realmente dispusesse de tempo enquanto professora.

No fim, para mim, faltou diálogo real, faltou os elementos de que trata Freire: amor, humildade, fé nos homens, esperança e, um pensar crítico. Não houve espaço, no tempo de que dispúnhamos, para tanto.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico

Acredito eu que não seja possível falar desses ele mentos separadamente, são elementos imbricados que levam o ser humano a agir de uma ou de outra forma. Porém, buscando tratar os assuntos de forma específica, eu diria que o amor acima de tudo deve existir por nossa profissão. Em todos os nossos fóruns e discussões, de alguma forma nós reclamamos e atentamos para as dificuldades de ser tutor, seja pelo pagamento que sai atrasado, seja pela mentalidade dos alunos, seja pela desorganização das coordenações de polo, enfim, muitos motivos que nos deixam down, mas em nenhum momento falamos em desistir. Isso para mim é amor, amor por uma profissão que é prestigiada por seu valor social e histórico, apesar de seus inúmeros empecilhos, é amor "porque é um ato de coragem, (...) é compromisso com os homens". Coragem de estar lá, não importa o que aconteça, e é compromisso de ensinar e aprender com todas as situações que são vivenciadas por nós.

E o que dizer da humildade? Não querendo desmerecer Paulo Freire, mas como meu pai fala, humildade não significa deixar que os outros pisem em nós, mas significa não achar que temos o direito de pisar em alguém, ou seja, significa pensar que somos imperfeitos e que não sabemos de tudo, e que por isso aprendemos sim com nossos alunos. Acredito que todos os dias da vida de tutoria nos dão uma oportunidade de praticar a humildade, seja como professor aprendendo com o aluno, e como aluno aceitando que um professor possa nos ensinar. É a humildade que nos faz aceitar uma crítica ou ver nela o lado positivo, que pode vir numa mensagem, numa resposta de fórum, num feedback de portfólio...lembrando, tanto do tutor quanto do aluno.

Já a fé, que não se explica mas se sente, é o que faz valer a esperança. É algo que não se vê, que não é óbvio, mas sabemos que está lá. Temos fé nos nossos alunos, de que de uma maneira ou de outra, ele vai entender que o que todos nós estamos fazendo é algo muito bom, é algo que vai gerar crescimento, acréscimo. Temos fé e esperança de que o ensino a distância vai atingir um número maior de pessoas QUALITATIVAMENTE; temos fé e esperança de que o aluno que estamos formando hoje será um professor melhor amanhã, e de que esse professor formará melhores alunos, e de que esses alunos também serão melhores profissionais...e por aí vai. Faz parte de todo esse processo, ser pensador crítico. 

No geral, as pessoas pensam que criticar é achar defeito em tudo, na verdade criticar ou pensar criticamente é achar sempre uma forma de melhorar algo, não baseados no "achismo", mas fundamentados teórica e experiencialmente. Como pensar criticamente o ensino a distância? Como pensar criticamente nossas ações como tutores? Como pensar criticamente nosso aluno e tudo o que o rodeia? Como fazer o aluno pensar criticamente? São questões que tenho fé e esperança de que serão resolvidas.